Ela contou:
Uma vez, tendo-me deixado levar por um movimentozinho de vaidade, falando de mim mesma, oh! meu Deus, quantas lágrimas e gemidos aquela falta me custou.
Com efeito, logo que nos encontramos a sós, (O Senhor) repreendeu-me desta maneira e com rosto severo:
‘Que tens tu, pó e cinza, de que te possas gloriar, se nada tens de teus, senão o nada e a miséria?
Jamais deves perder de vista nem deixar o abismo do teu nada. E, para que a grandeza de meus dons não te faça desconhecer e esquecer o que tu és, quero que o vejas com teus olhos neste quadro’.
Mostrando-me este horrível quadro, em que estava um compêndio de tudo o que eu sou, fiquei de tal modo surpreendida e com tanto horror de mim mesma que, se o Senhor não me tivesse sustentado, desfaleceria de dor: ‘Ah! meu Deus, dai-me a morte ou escondei esse quadro; vendo-o não posso viver’.”
Com efeito...
Como vimos no episódio vivido por Santa Margarida Maria Alacoque, tal situação muitas das vezes pode ocorrer conosco, ou já, ou ainda continua a ocorrer conosco também. Pois, muitas vezes sem perceber, nos apropriamos do que não é nosso. Um talento, uma virtude, uma boa ação… e silenciosamente o coração começa a dizer: “isso é meu, olha como 'EU' sou bom”. Isto dito, não com palavras, mas com um certo gosto interior de si mesmo, como um prazer escondido. E é aí que nasce a vaidade mais perigosa: a que se mistura com bem. Como bem sabemos que, Deus, porém, vê além das aparências.
Ele vê quando começamos a nos apoiar em nós mesmos. O Senhor, porque nos ama, puxa o nosso tapete para revelar quem de fato somos, Ele faz isso não para humilhar por crueldade, mas para curar da ilusão orgulhosa, ou seja, do nosso famoso "Espelho, espelho meu, tem alguém mais belo do que Eu". Logo, o Senhor não permite que vivamos nessa ilusão por muito tempo.
Assim, como aquele "quadro horrível" descrito no relato, revela não um espetáculo de condenação, mas uma revelação interior: o que a pessoa é por si mesma, sem a graça de Deus. Às vezes, Ele nos deixa ver, ainda que por um instante o nosso quadro, aquilo que somos sem Ele. E isso assusta... Mas essa verdade, por mais dura que pareça, é libertadora.
Porque quando reconhecemos que de nós mesmos só temos o nada e o pecado, então tudo o que há de bom passa a ser motivo não de orgulho, mas de gratidão ao Senhor. E a alma deixa de se apoiar em si e começa, enfim, se apoiar plenamente em Deus.
Façamos agora um exame de consciência sobre nós mesmos:
• Como está o “quadro de minha alma” diante de Deus neste momento? Ele revela uma alma que reconhece humildemente que tudo é graça… ou uma alma presa a vaidade, ainda que discretamente, se apoia em si mesma?
• Se o Senhor me visse agora, não como eu pareço por fora, mas como realmente sou por dentro, o que Ele encontraria?
• Quando faço algo bom, dou imediatamente a glória a Deus… Ou Glorio a mim mesmo, mesmo que sutilmente?
• Quando faço o bem, quero ser sempre visto?
• Eu me comparo com os outros para me sentir melhor?
Assim, aprendemos com Santa Margarida Maria Alacoque, esta belíssima verdade:
“Nada sou, nada posso, nada valho; tudo o que há de bom em mim é de Deus.”
Enquanto a mim, o que resta mesmo é:
O meu nada e o pecado...
— Referência:
(Autobiografia. Santa Margarida Maria Alacoque. Ed. Loyola.1985. p.47)
E as almas dos fiéis defuntos pela misericórdia de Deus descansem em paz!
℣. Dai-lhes Senhor, o descanso eterno.
℟. E a luz perpétua os ilumine.
Descansem em paz. Amém.
℣. Senhor, escutai a minha oração,
℟. E chegue até vós o meu clamor.
"Para Cristo,
por Maria e José,
em súplicas pelas
almas do purgatório".
† Jesus e Maria eu vos amo, salvai almas!




